EUSTÁQUIO RODRIGUES FILHO
O período de redemocratização começou em 1985 e este ano completa 40 anos. Motivos para comemorar? Veremos. Em 1988 foi promulgada a nova Constituição? Motivos para comemoração? Também veremos.
Não há dúvida de que, atualmente, devido à explosão populacional no mundo, o melhor regime de governo é o democrático, onde a massa escolhe, por meio de voto direto seus representantes indiretos – o ideal seria uma representação direta, onde cada um decidiria o rumo de sua comunidade diretamente, porém, atualmente, é impossível. Então, pelo sim, pelo não, estarmos em um país em que, ao menos no papel, é um regime democrático, é motivo para comemorar.
A Constituição, o marco legal da redemocratização, cheia de boas intenções e “pseudomodernidades”, tornou-se umas das Cartas Magnas mais deturpadas, permissivas e contraditórias da história. Embora traga um bom arcabouço de direitos individuais e coletivos fundamentais, virou uma barafunda de garantismo, impunidade e berço de privilégios infundados e infindáveis. Isso sem contar a péssima redação de alguns artigos que levam a 200 milhões de interpretações.
A democracia no Brasil nunca foi realmente “democrática”. Há uma flagrante separação, um “apartheid” para os acessos “democráticos” das diversas classes, cores e etnias. O acesso à educação e à saúde são os principais gargalos e pontos separatistas da nossa nação “democrática”, que tem a violência como único ponto em que todos estão “igualmente” acessíveis – tirando aquela turma dos muito, muito ricos (e determinadas classes políticas) que possuem carros blindados e seguranças privados (a segunda turma sendo bancada por dinheiro público).
Após a redemocratização, foi criado um perpétuo e bem engendrado sistema que reduziu, progressivamente, a escola básica e fundamental pública brasileira a um arremedo de educação, a uma piada. Na grande maioria das escolas públicas fingem que ensinam e fingem que aprendem. Por lei, ou seja, na marra, todos devem passar de ano. Uma ressalva: a escola pública brasileira já foi melhor, com qualidade acima da média.
O outro sistema bem amarrado e consolidado que mantém a população refém do atual processo eleitoral é o sistema público de saúde. Prisioneiros do lobby dos planos de saúde, políticos se ancoram no caos da saúde para manterem diversos currais eleitorais. O tal aclamado SUS – criado na Constituição de 1988 e que de graça não tem nada – é um caos dividido entre os três entes federativos e é um prato cheio para corrupção, clientelismo e demagogia. “Viva o SUS” vivem dizendo os papagaios esquerdistas de plantão. Mas viva o quê? Experimente ficar sem um plano de saúde privado para provar as agruras da saúde pública.
Em pleno 2025, todas as esferas de poder, bairro, Município, Estado, União estão tomadas pelo câncer da corrupção e seduzidas por organizações criminosas, tanto no Legislativo, quanto no Judiciário e Executivo. É difícil distinguir onde está pior. É um círculo vicioso: em que a massa da população não consegue distinguir um bom político porque não possui uma consciência minimamente crítica e os maus políticos continuam sendo escolhidos (condenados e descondenados), sabotando a educação e o país para que essa mesma população continue sem a mínima criticidade para escolher bons representantes. E tudo ancorado numa “legítima e plural” democracia e em uma Constituição cidadã.
Eustáquio Rodrigues Filho – Cristão, Servidor Público e Escritor. Autor do livro “Um instante para sempre”. Instagram: @epelomundo