JOÃO AGUIAR
DO REPÓRTER MT
A Operação Descobrimento, da Polícia Federal, foi destaque no Fantástico, da Rede Globo, nesse domingo (24). A ação, deflagrada na última terça-feira (19) tem o objetivo de desarticular organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína.
A matéria exibida pelo programa mostra que a organização criminosa, que tinha como um dos líderes o lobista e ex-assessor da vice-governadoria na gestão Silval Barbosa, Rowles Magalhães, havia negociado um contrato de um ano com o Primeiro Comando da Capital (PCC) de 10 milhões de euros (52 milhões de reais) para o transporte de cocaína para a Europa.
>>> Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão
A organização criminosa previa fazer três viagens mensais para a Europa durante um ano e havia negociado com um membro do PCC para fornecer a droga. O grupo pagaria 10 milhões de euros por ano por conta desse fornecimento.
Um dos áudios enviados por Rowles foi mostrado na reportagem. “Oi, deixa eu te falar, é o seguinte. Eu pensei num negócio, cara, top pra nós. A gente faz um contrato do ano inteiro, de três viagens por mês. Tá bom?”, diz Rowles no áudio.
Leia mais sobre o caso
Lobista do VLT é preso por levar cocaína em jato para Portugal
Lobista e ex-secretário agiam juntos para levar cocaína para Portugal
PF apreende joias, bolsas de grife e euros em casa do lobista do VLT
Conforme a Polícia Federal, Rowles e o ex-secretário de Ciências e Tecnologia e Inovação de Mato Grosso (Seciteci), Nilton Borgato (PSD), atuavam juntos como responsáveis no transporte da droga, que saía do Brasil e ia até Portugal em jatos de luxo. Foram de quatro a cinco remessas enviadas ao país europeu, segundo apontam as investigações.
Rowles Magalhães ficou conhecido por ser o lobista que intermediou a aquisição do VLT em Cuiabá e depois denunciou o esquema de propina na contratação.
Já Nilton comandou a Seciteci entre 2019 e março deste ano. Deixou a pasta para ser candidato a deputado federal nas eleições de outubro. Ele já foi prefeito de Glória D'Oeste.
A quadrilha começou a ser investigada em fevereiro do ano passado, quando a Polícia Federal apreendeu mais de 500 kg de cocaína na aeronave de uma empresa privada de aviação em que Rowles Magalhães é sócio. O avião estava no Aeroporto Internacional de Salvador (BA) e tinha como destino a Europa.
Imagens divulgadas pela PF na época mostram vários tabletes de drogas espalhados pelo assoalho da aeronave. Mecânicos que faziam inspeção no avião encontraram parte da droga escondida e acionaram a Polícia Federal. Com auxílio de peritos e cães farejadores, os policiais acharam outros esconderijos da droga.